Tô bem, sumi por um bom tempo porque não tenho mais paciência para ficar naquele pólo computacional, lotado de gente... sem contar que passei um mês na obstetrícia que se resumiu, basicamente, a períodos de plantão e pós-plantão. Amei esse estágio, sinto falta dos plantões (agora que estou na hemato/dermato/pneumo)... dei boas risadas por lá, o pessoal da enfermaria é muito bem-humorado. Gostava, inclusive, das enfermeiras, e a recíproca era verdadeira, eu acho, porque elas me deixavam dormir por algumas horas. Só acordavam quando era coisa grave mesmo. Ah sim, salvo a exceção de uma que chegava todo santo dia gritando a plenos pulmões na salinha dos médicos "Salve! Salve! A paz de Jesus para todos, abençoados sejam e blá blá blá". Dava no saco, velha chata, reclamava o dia inteiro e tratava a todos como se fossemos um bando de retardados. Para ajudar, o segurança noturno, movido pelo tédio que é ficar sentado naquela cadeira do pronto-atendimento esperando alguma eventual emergência, resolveu fazer o favor de arrumar os consultórios. Resultado: jogou o espéculo no lixo, ao invés do balde com a água estranha, e esse ato nos rendeu uma semana aguentando as reclamações da "salve-salve-paz-de-jesus".
Fora esses contra-tempos, a obstetrícia deu histórias para contar a rodo. A clássica é de uma amiga minha atendendo uma consulta de pré-natal com nosso preceptor ao lado.
Paciente: Doutora, eu posso ter relação durante a gravidez?
Amiga: Pode, pode sim.
Paciente: Mas... a gravidez inteira??
Amiga: Claro, não tem problema nenhum.
Paciente: Mas doutora... toda semana, tem problema?
Amiga: Não, não tem problema, fique sossegada.
Paciente: E todo dia? Posso?
Amiga: Pode, pode sim.
Paciente: Mas... cinco vezes por dia, pode?
Amiga: .... pode... mas... errr... a senhora trabalha...
Paciente: É, é isso mesmo que a doutora está pensando.